quinta-feira, janeiro 19, 2006

O Tempo do Teu Amor

Subtilmente, arrastei os membros até ao cadeirão de todos os sonhos – bons, maus e até péssimos…
Sentia a dor entranhar-se pelos ossos fartos de resistir e cada vez mais fracos… Estava sozinha novamente e essa solidão doía mais do que todas as outras bofetadas que a vida um dia me havia dado. Era o sentimento “estar só” que me atormentava, que já não deixava os meus movimentos decorrerem de forma casual. Até o meu respirar já era pensado e, minuciosamente, articulado como se nunca tivesse tido a sensação de respirar espontaneamente.
Mas era essa a memória do tempo do “espontaneamente” que despertavam em mim o choro seco no seio de um olhar inerte, sem cor e sem perspectiva.
Farejei o odor do pó acumulado sobre os móveis antigos, farejei no ar ainda um velho perfume da memória que eu cismava em querer apagar, queimar, destruir, afastar para longe… A memória era ferida regada com álcool etílico do mais puro e esmigalhava-me todos os sentidos, mesmo os mais adormecidos e inúteis.
Aparentemente, nem um raio de sol ou um céu límpido de Maio poderiam ofertar um sorriso tolo às minhas entranhas.
O “tempo espontâneo” onde estava? Onde estava aquele sorriso ingénuo e quase absurdo?
Cansava o ímpeto com perguntas estranhas, meras retóricas sem qualquer feição elucidativa.
Mas no fundo, bem sabia que tudo se resumia a uma questĂŁo que eu temia fazer a mim mesma: Onde estaria o tempo do teu amor?

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Relembra-me a MemĂłria Esquecida

Relembra-me o passado incerto, cheio de coisas mal ditas ou malditas… Relembra-me o tempo em que fui a pior das pessoas, em que te fiz feliz (talvez…), mas em que me senti tão mal que não conseguia ver a minha imagem reflectida no espelho. Continua a relembrar-me todos os subúrbios do meu coração, onde nada mais ficou senão a memória que teimas trazer-me.
E o que farei das recordações aos pedaços com que me presenteias a cada dia? O que vou fazer com a escuridão que, dia após dia, teimas em impor perante a minha indiferença acesa?
Nada mais posso fazer do que colocar tudo isso num buraco muito fundo do meu ser, onde nada do que faças, digas ou tentes possa causar qualquer embaraço.
Relembra-me apenas a memória já esquecida!

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Hoje Ouvi-te!

Hoje ouvi-te!
Depois desse silĂŞncio ensurdecedor a que nos obrigaste, hoje consegui ouvir-te!
Entre gemidos - de dor ou de prazer –, entre gritos – de desespero ou de excitação -, entre palavras – duras ou suaves -, hoje ouvi-te!
Não entendi muito bem o que querias dizer, talvez não tenha feito esforço para ler nas entrelinhas dessa voz doce e bruta.
Sei que te ouvi repleto de magia, ouvi a música das tuas cordas vocais que me eleva, que me enterra, que me extasia e também me horroriza…
Sei porque conheço cada som, cada acorde dessa voz firme, mas meiga.
E lembro-me somente das palavras finais quando disseste: “Talvez um dia me voltes a ouvir… ou… Talvez seja hoje o último intervalo que fiz no silêncio que é nosso.”

aster

A Tua Prateleira

Arrumaste-me naquela prateleira mais alta e inacessível do teu coração.
Tentaste esquecer e deixaste-me ao pó e à solidão, sem pena…
Fui arrumada entre escombros e lamentos.
E ainda tenho dúvidas se conseguiste aquilo que ansiavas: ESQUECER-ME… Tenho dúvidas se as noites frias de Dezembro já não te lembram o meu cheiro e a minha voz; tenho dúvidas se quando fazes uma viagem já não te lembras do meu riso irreverente face ao exotismo e da minha vontade de provar isto ou aquilo…Será que agora, sem mim, continuas a provar o sabor do mundo? Tenho dúvidas!...

aster

Bom dia!

Bom dia!
NĂŁo respondes?
Por que choras?
Cara triste, olhos sem brilho, corpo sem expressão…
Bom dia!
Para ti parece tudo menos bom dia…
Inventarei formas de desenhar um sorriso nos lábios que vejo? Inventarei forma de devolver o brilho desses olhos? Haverá forma de hoje ser, para ti, um bom dia? Será que vais sorrir se eu contar uma piada ou se fizer uma careta parva?
Gostava que sim, gostava que fosse mais simples terminar com a desolação desse semblante teu!
Bom dia espelho, bom dia!!...

aster

Mundo

Sombras, luzes escuras
Por entre o mundo ingénuo,
Onde não há simplicidade,
Ingenuidade perspicaz
Onde nem sequer há paz.

Fujo, corro, escondo-me…
Tento esquecer o lamento
Do mendigo em qualquer rua
Procuro a falsidade,
A indiferença que traz felicidade.

O que posso esperar aqui?
Valerá a pena sonhar?
Problema, tristeza, ódio…
Rodeiam um coração de dor
Que apenas anseia amor…

aster

Por Momentos...

Assustaste-me por momentos
Quando nĂŁo vi os teus olhos,
Nem ouvi a tua voz
Quando quase se desvanecia o “nós”…

Fiquei meia sĂł, meia perdida
Aqui na escuridĂŁo dos sentidos
Quando nĂŁo davas notĂ­cias
E me ocultavas as carícias…

Mas sorriste novamente,
Voltaste a brilhar em mim.
Vieste e tocaste a fundo
E iluminaste este escuro mundo.

Sei que nĂŁo vais mais sair
Do aconchego do meu peito
Porque já não sei viver
Sem te sentir, sem te ver!

aster

domingo, novembro 20, 2005

Sei Quem És...

Sei quem és, sei o que trazes
Na ponta dos dedos a arte
Giras rodando e fazes
Um candeeiro de caco que nĂŁo parte.

Nos lábios o doce beijo
Sustentas e entregas no ar
Pousa em mim e traz desejo
De prender-me a ti e dançar...

És profundo, sensível, puro...
És vento suave do sul
Que faz belo o que Ă© duro,
Que repinta o meu céu de azul.

Trazes caminhos entre mĂŁos
Milares de terras, centenas de margens...
Levas-me contigo pelos chĂŁos
Onde existem rios e suaves paisagens.

NĂŁo me tragas de volta Ă  vida!
Deixa-me ficar nesse teu mundo
Onde a medalha recebida
É amar-te no teu fundo...

aster

Procuro Por Ti...

Procuro por ti
No cume da montanha,
Na profundeza do mar,
Na arte de um galho seco...

Procuro o teu cheiro
Na encosta quente e hĂşmida,
Na ponta dos dedos meus,
Na doçura que eu cerco...

Aí estás tu!
Com olhos de quem quer
Beber um pouco de mim,
Partir e nunca esquecer...

aster

quarta-feira, novembro 09, 2005

Meia perdida sem ti...

Fico meia perdida quando não estás aqui
Chamo pelo teu nome, procuro o teu corpo
NĂŁo te encontro, nĂŁo te vejo
�s vezes penso que nunca te vi...

Fazes-me sorrir com força e vontade
Por isso, teimo em dizer baixinho
Que aquilo que sinto por ti
É igual ao amor de verdade.

Convidas-me para entrar no teu mundo
Sinto a pintura dos teus dedos na minha pele
E fico assim num momento perfeito
À procura de quem tu és no teu fundo.

Acordo para um novo dia estrelado
Sem medos, sem dĂşvidas, sem porquĂŞs...
Somente espero que chegua a hora
Em que estejas, pelo tempo, ao meu lado.

Quem és? Diz-me o teu desejo!
O que prende o teu coração ao meu?
Por agora, esqueço o mundo e as pessoas
E peço-te, eternamente, mais um beijo...

aster

Fica Um Pouco Aqui

Fica por aqui,
Não vás embora já!
Dá-me mais um beijo,
Dá-me mais um momento
E fica comigo no teu pensamento.

NĂŁo partas agora,
NĂŁo me deixes assim!
Abraça-me outra vez,
Procura-me em ti...
Fica um pouco aqui!

NĂŁo saias do meu lado,
Não me ofereças a ausência!
Acorda o meu corpo,
Acorda e faz vibrar
A sede de te amar...

aster

sexta-feira, novembro 04, 2005

O Que Eu NĂŁo Posso Dizer...

NĂŁo posso dizer que te amo
NĂŁo posso dizer porque tu nĂŁo queres
Mas, no fundo, sabes entender
O que eu nĂŁo posso dizer.

Pedes-me silĂŞncio,
Impedes que eu diga mais
Mas Ă© teu o pensamento
E eu calo-me por um momento.

Por que nĂŁo queres que eu diga?
Tens medo que eu te minta?
Tens medo que ao dizer
O que sinto possa morrer?

Por mais que diga "amor",
Por mais que grite "amo-te"
A palavra nĂŁo se gasta,
O sentimento nĂŁo se afasta...

Por mais que diga "amor",
Mesmo se mil vezes disser,
O que sinto nĂŁo vai findar
Persisto no verbo amar...

aster

Saudade...

Saudade do teu corpo doce
Junto ao meu, no amor que o diz fez...
Saudades antes de partires,
Tanta saudade que nem a vĂŞs...

O desejo Ă© ter-te aqui
Mesmo num beijo ténue e fugaz
Porque simplesmente o teu toque
Me traria de novo a paz.

Resta-me esperar pelo tempo
Em que o amor possa, enfim, voar
E os abraços sejam para sempre
E todos os dias sejam um começar...

Resta-me esperar pelo "sim"
Pela palavra replecta de magia
Que faça sorrir o meu coraçao
E mude a solidĂŁo do meu dia...

aster

segunda-feira, outubro 10, 2005

Perdeste...

Perdeste-me entre palavras de dor
Nada ficou no meu lugar
Que pudesse fazer lembrar
O tempo em que te dei amor

Perdeste-me entre gestos cruéis
E nada do que possas dizer
Vai fazer voltar a aparecer
Os dedos em vez dos anéis.

Perdeste-me entre memĂłrias de fumo
E nada te vai fazer pensar
Como costumavas amar
Quando éramos um só mundo…

aster
Bebi o veneno que me deste
Mas sabia que era veneno o que me ofereceste.

Vieste belo com passos subtis
Deste-me um cálice com licor azul
Sabia que me queria ver morta,
Sabia que nĂŁo me querias aqui
E, para te fazer a vontade,
Peguei no cálice e bebi.

Uma dor percorreu-me o corpo
Desmaiei e tu olhavas-me
Foi o veneno azul da morte
Que me ofereceste na noite fria
E sorriste enquanto dizias:
“Este licor é uma maravilha!”

E viste a respiração a partir
E os meus olhos fecharem
Sem forças sucumbi no chão duro
E nem um beijo de adeus vieste dar
Viraste costas e saĂ­ste
Como se nada se estivesse a passar.

Bebi o veneno que me deste
Mas sabia que era veneno o que me ofereceste.

aster

Nunca me soubeste dar...

A brisa levou-me o cabelo negro
Senti o frio no rosto e no peito
Parti dali
Fui buscar um pouco de calor,
Talvez um pouco de amor
Que nunca me soubeste dar.

Perdi-me na escadaria dos porquĂŞs,
Encontrei-me na esteira da dĂşvida
E dormi com o ciĂşme como companhia
SĂł queria uma palavra doce,
Um beijo, por mais falso que fosse,
Mas tu nunca me soubeste dar.

Colhi mil flores de mil perfumes,
Abri os jardins do pensamento
E entrei nos pátios que não conheces
Talvez para me perder
Ou, simplesmente, para esquecer
Tudo o que nunca me soubeste dar.

aster

quarta-feira, setembro 21, 2005

Amor Perdido

Canto a dor que me deixaste
Por nĂŁo me deixares amar-te,
Por me afastares de ti.
Fiquei sĂł, fiquei aqui
Meia perdida e meia achada
Simplesmente, sem ti…

SĂł queria que entendesses
Que o que sinto Ă© real
NĂŁo Ă© fascĂ­nio ou paixĂŁo
É mais fundo do que o chão
E eu nĂŁo consigo sorrir
Porque te trago no coração.

Estou em pleno desatino
Já nem sei mais onde vou
Se nĂŁo posso estar contigo
Nem apenas como amigo
O que ando aqui a fazer?
Se não posso estar contigo…

Amo-te!
Entende isto por favor!
E nada que digas ou faças
Pode apagar o amor…

aster

quarta-feira, setembro 14, 2005

Luz

No final revi a luz, a luz que estava escondida por entre as brumas daquela noite escura. A ferida sarou e o sangue cessou de correr na minha pele cansada. A luz que vi queimou as minhas retinas que já se tinham habituado ao breu. Abri devagar os olhos estonteados e vi-te. Já não eras mais sombra…agora eras luz resplandecente que cercava e iluminava todo o meu ser.
A tua luz falou comigo, perguntou-me o nome, perguntou-me por que eu gostava tanto de azul e prometeu-me protecção. Que luz linda…que lindo que és!
A tua luz quis conhecer-me, mergulhar no que eu sou, quis salvar o meu instinto, penetrar a minha imaginação. Que luz linda!
E cantei assim quando te vi:


Dá-me a tua luz!
Essa luz que me envolve,
Que me sossega a agonia
E me ilumina de dia…
Dá-me a tua luz!

Dá-me essa luz!
Que Ă© tĂŁo bela e segura
E me eleva no amor
E apaga o meu temor…
Dá-me essa luz!


E cantei vezes sem conta enquanto te aproximavas. Tu sorrias e a luz ficava cada vez mais intensa.
NĂŁo consegui tocar-te mas senti o teu calor e tu embalaste-me e nĂŁo mais me deixaste perder a escuridĂŁo!
Continuo a sentir-te e vou sentir-te para sempre num sentir eterno…

aster

Amo-te...

Amo-te
Porque fizeste nascer vida em mim
Envolveste-me com a tua rebeldia
Tomaste conta de mim na noite fria
E deste-me o calor que tinhas em ti

Amo-te
Porque novamente acredito
No mundo e nas pessoas
Mesmo nas coisas menos boas
Fizeste sair de mim o grito.

Amo-te
Porque me mostraste as cores
Do céu, do mar e da terra
E de um mundo sem guerra,
Sem lágrimas e sem temores.

E por isso canto o amor,
A vida, a luz, a alegria
Que me deste nesse dia
Em que senti o teu calor.

aster

terça-feira, setembro 13, 2005

Cresce Dentro de Mim...

Cresce dentro de mim
E tira-me a angĂşstia e o medo
Que me apertam por dentro
Neste meu sofrimento.
.
Vem acalmar a alma rebelde
Que se move inquieta
E traz-me a paz, a bênção
De seres mais do que ilusĂŁo.
.
Esconde-te no meu peito
Devagar, com muita calma
E envia-me um sinal aberto
Para um sorriso descoberto.
.
Canta para mim
Embala o meu ouvido
Embala a minha alma
Num fá sustenido
Sem pressa, com calma…
.
Dança comigo
Recebe o que Ă© meu
Descobre todo o meu ser
NĂŁo sou mar que te perdeu
Sou onda, sou lenha a arder…
.
aster