sábado, março 04, 2006

Fumo

Acordas atordoado
E pensas que nĂŁo consegues.
Viraste p´ro outro lado.
Entra um raio no fundo
De um sol adormecido
E sentes-te incapaz…

Pegas num livro qualquer
Tentas nĂŁo pensar.
Finges nĂŁo entender
A vontade que te mata,
Que te rĂłi o corpo inteiro
E teima em tirar-te a paz.

Mas a prenda do teu desejo,
Se um dia se concretizar,
Será mais doce que o beijo,
Mais belo que toda a arte,
Mais perfeita que o luar
Qual elo que não se desfaz…

aster

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Amar-te Assim

Amar-te assim, sem pressa
Com a noção apagada em sombra…
Não é a outra! É agora, é esta!
Mesmo que a noite traga penumbra.

E querer sĂł mais um dia
Mais outro e outro, eternamente…
E esquecer tudo o que se queria,
Vivendo este amor plenamente.

Pelo caminho seguindo a luz
Que surge no túnel do teu abraço,
Na doçura do beijo que me seduz
E no abrigo que é o teu regaço.

E quando acaba a amargura,
A que o mundo nos habituou,
Torna-se boa a loucura
Que longe daqui nos encontrou…

domingo, fevereiro 05, 2006

Perdido no Meu Achado

Rasgo-te e trago-te até mim
Imenso, cheio de nada
E, por fim,
Vazio de tudo o que Ă© teu.

Peço-te um desejo profundo
Maio que o céu ou o mar,
Maior que o mundo
Que vejo, que sinto, que cheiro.

Entrego-te a ti na noite
Escura de luz e de arte
Tiro do amor a parte
Que dĂłi,
Que esmaga,
Que rĂłi
E sigo mais um dia a lado
Contigo perdido no meu achado…


aster

A Lembrança de TI

Calmamente, abri a janela na esperança que, do outro lado, permanecesse um leve sorriso teu. Medi todos os meus gestos, como se fosse a última vez que tivesse a oportunidade de mover-me.
À lembrança, já cansada, vêm as palavras que proferiste quando inventaste a ideia da nossa solidão…foste cruel e duro…nem sequer olhaste nos meus olhos, nem sequer te interrogaste sobre o meu estado ao ouvir-te dizer que sentias o desgaste que te destruía vezes sem conta. Mas o amor, porventura, sofre desgaste? Achas mesmo que os sentimentos puros e verdadeiros (como os nossos) se esfumam como se de uma onda efémera se tratasse?
Enfim…impuseste-me a dor aguda com um molho de palavras amargas. Impuseste tudo aquilo que eu pensei que, ao teu lado, nunca poderia sentir.
Ficou o pó, a solidão… e isto é a lembrança completa que existe em mim da pessoa que ainda amo e que és tu.

aster

quinta-feira, janeiro 19, 2006

O Tempo do Teu Amor

Subtilmente, arrastei os membros até ao cadeirão de todos os sonhos – bons, maus e até péssimos…
Sentia a dor entranhar-se pelos ossos fartos de resistir e cada vez mais fracos… Estava sozinha novamente e essa solidão doía mais do que todas as outras bofetadas que a vida um dia me havia dado. Era o sentimento “estar só” que me atormentava, que já não deixava os meus movimentos decorrerem de forma casual. Até o meu respirar já era pensado e, minuciosamente, articulado como se nunca tivesse tido a sensação de respirar espontaneamente.
Mas era essa a memória do tempo do “espontaneamente” que despertavam em mim o choro seco no seio de um olhar inerte, sem cor e sem perspectiva.
Farejei o odor do pó acumulado sobre os móveis antigos, farejei no ar ainda um velho perfume da memória que eu cismava em querer apagar, queimar, destruir, afastar para longe… A memória era ferida regada com álcool etílico do mais puro e esmigalhava-me todos os sentidos, mesmo os mais adormecidos e inúteis.
Aparentemente, nem um raio de sol ou um céu límpido de Maio poderiam ofertar um sorriso tolo às minhas entranhas.
O “tempo espontâneo” onde estava? Onde estava aquele sorriso ingénuo e quase absurdo?
Cansava o ímpeto com perguntas estranhas, meras retóricas sem qualquer feição elucidativa.
Mas no fundo, bem sabia que tudo se resumia a uma questĂŁo que eu temia fazer a mim mesma: Onde estaria o tempo do teu amor?

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Relembra-me a MemĂłria Esquecida

Relembra-me o passado incerto, cheio de coisas mal ditas ou malditas… Relembra-me o tempo em que fui a pior das pessoas, em que te fiz feliz (talvez…), mas em que me senti tão mal que não conseguia ver a minha imagem reflectida no espelho. Continua a relembrar-me todos os subúrbios do meu coração, onde nada mais ficou senão a memória que teimas trazer-me.
E o que farei das recordações aos pedaços com que me presenteias a cada dia? O que vou fazer com a escuridão que, dia após dia, teimas em impor perante a minha indiferença acesa?
Nada mais posso fazer do que colocar tudo isso num buraco muito fundo do meu ser, onde nada do que faças, digas ou tentes possa causar qualquer embaraço.
Relembra-me apenas a memória já esquecida!

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Hoje Ouvi-te!

Hoje ouvi-te!
Depois desse silĂŞncio ensurdecedor a que nos obrigaste, hoje consegui ouvir-te!
Entre gemidos - de dor ou de prazer –, entre gritos – de desespero ou de excitação -, entre palavras – duras ou suaves -, hoje ouvi-te!
Não entendi muito bem o que querias dizer, talvez não tenha feito esforço para ler nas entrelinhas dessa voz doce e bruta.
Sei que te ouvi repleto de magia, ouvi a música das tuas cordas vocais que me eleva, que me enterra, que me extasia e também me horroriza…
Sei porque conheço cada som, cada acorde dessa voz firme, mas meiga.
E lembro-me somente das palavras finais quando disseste: “Talvez um dia me voltes a ouvir… ou… Talvez seja hoje o último intervalo que fiz no silêncio que é nosso.”

aster

A Tua Prateleira

Arrumaste-me naquela prateleira mais alta e inacessível do teu coração.
Tentaste esquecer e deixaste-me ao pó e à solidão, sem pena…
Fui arrumada entre escombros e lamentos.
E ainda tenho dúvidas se conseguiste aquilo que ansiavas: ESQUECER-ME… Tenho dúvidas se as noites frias de Dezembro já não te lembram o meu cheiro e a minha voz; tenho dúvidas se quando fazes uma viagem já não te lembras do meu riso irreverente face ao exotismo e da minha vontade de provar isto ou aquilo…Será que agora, sem mim, continuas a provar o sabor do mundo? Tenho dúvidas!...

aster

Bom dia!

Bom dia!
NĂŁo respondes?
Por que choras?
Cara triste, olhos sem brilho, corpo sem expressão…
Bom dia!
Para ti parece tudo menos bom dia…
Inventarei formas de desenhar um sorriso nos lábios que vejo? Inventarei forma de devolver o brilho desses olhos? Haverá forma de hoje ser, para ti, um bom dia? Será que vais sorrir se eu contar uma piada ou se fizer uma careta parva?
Gostava que sim, gostava que fosse mais simples terminar com a desolação desse semblante teu!
Bom dia espelho, bom dia!!...

aster

Mundo

Sombras, luzes escuras
Por entre o mundo ingénuo,
Onde não há simplicidade,
Ingenuidade perspicaz
Onde nem sequer há paz.

Fujo, corro, escondo-me…
Tento esquecer o lamento
Do mendigo em qualquer rua
Procuro a falsidade,
A indiferença que traz felicidade.

O que posso esperar aqui?
Valerá a pena sonhar?
Problema, tristeza, ódio…
Rodeiam um coração de dor
Que apenas anseia amor…

aster

Por Momentos...

Assustaste-me por momentos
Quando nĂŁo vi os teus olhos,
Nem ouvi a tua voz
Quando quase se desvanecia o “nós”…

Fiquei meia sĂł, meia perdida
Aqui na escuridĂŁo dos sentidos
Quando nĂŁo davas notĂ­cias
E me ocultavas as carícias…

Mas sorriste novamente,
Voltaste a brilhar em mim.
Vieste e tocaste a fundo
E iluminaste este escuro mundo.

Sei que nĂŁo vais mais sair
Do aconchego do meu peito
Porque já não sei viver
Sem te sentir, sem te ver!

aster

domingo, novembro 20, 2005

Sei Quem És...

Sei quem és, sei o que trazes
Na ponta dos dedos a arte
Giras rodando e fazes
Um candeeiro de caco que nĂŁo parte.

Nos lábios o doce beijo
Sustentas e entregas no ar
Pousa em mim e traz desejo
De prender-me a ti e dançar...

És profundo, sensível, puro...
És vento suave do sul
Que faz belo o que Ă© duro,
Que repinta o meu céu de azul.

Trazes caminhos entre mĂŁos
Milares de terras, centenas de margens...
Levas-me contigo pelos chĂŁos
Onde existem rios e suaves paisagens.

NĂŁo me tragas de volta Ă  vida!
Deixa-me ficar nesse teu mundo
Onde a medalha recebida
É amar-te no teu fundo...

aster

Procuro Por Ti...

Procuro por ti
No cume da montanha,
Na profundeza do mar,
Na arte de um galho seco...

Procuro o teu cheiro
Na encosta quente e hĂşmida,
Na ponta dos dedos meus,
Na doçura que eu cerco...

Aí estás tu!
Com olhos de quem quer
Beber um pouco de mim,
Partir e nunca esquecer...

aster

quarta-feira, novembro 09, 2005

Meia perdida sem ti...

Fico meia perdida quando não estás aqui
Chamo pelo teu nome, procuro o teu corpo
NĂŁo te encontro, nĂŁo te vejo
�s vezes penso que nunca te vi...

Fazes-me sorrir com força e vontade
Por isso, teimo em dizer baixinho
Que aquilo que sinto por ti
É igual ao amor de verdade.

Convidas-me para entrar no teu mundo
Sinto a pintura dos teus dedos na minha pele
E fico assim num momento perfeito
À procura de quem tu és no teu fundo.

Acordo para um novo dia estrelado
Sem medos, sem dĂşvidas, sem porquĂŞs...
Somente espero que chegua a hora
Em que estejas, pelo tempo, ao meu lado.

Quem és? Diz-me o teu desejo!
O que prende o teu coração ao meu?
Por agora, esqueço o mundo e as pessoas
E peço-te, eternamente, mais um beijo...

aster

Fica Um Pouco Aqui

Fica por aqui,
Não vás embora já!
Dá-me mais um beijo,
Dá-me mais um momento
E fica comigo no teu pensamento.

NĂŁo partas agora,
NĂŁo me deixes assim!
Abraça-me outra vez,
Procura-me em ti...
Fica um pouco aqui!

NĂŁo saias do meu lado,
Não me ofereças a ausência!
Acorda o meu corpo,
Acorda e faz vibrar
A sede de te amar...

aster

sexta-feira, novembro 04, 2005

O Que Eu NĂŁo Posso Dizer...

NĂŁo posso dizer que te amo
NĂŁo posso dizer porque tu nĂŁo queres
Mas, no fundo, sabes entender
O que eu nĂŁo posso dizer.

Pedes-me silĂŞncio,
Impedes que eu diga mais
Mas Ă© teu o pensamento
E eu calo-me por um momento.

Por que nĂŁo queres que eu diga?
Tens medo que eu te minta?
Tens medo que ao dizer
O que sinto possa morrer?

Por mais que diga "amor",
Por mais que grite "amo-te"
A palavra nĂŁo se gasta,
O sentimento nĂŁo se afasta...

Por mais que diga "amor",
Mesmo se mil vezes disser,
O que sinto nĂŁo vai findar
Persisto no verbo amar...

aster

Saudade...

Saudade do teu corpo doce
Junto ao meu, no amor que o diz fez...
Saudades antes de partires,
Tanta saudade que nem a vĂŞs...

O desejo Ă© ter-te aqui
Mesmo num beijo ténue e fugaz
Porque simplesmente o teu toque
Me traria de novo a paz.

Resta-me esperar pelo tempo
Em que o amor possa, enfim, voar
E os abraços sejam para sempre
E todos os dias sejam um começar...

Resta-me esperar pelo "sim"
Pela palavra replecta de magia
Que faça sorrir o meu coraçao
E mude a solidĂŁo do meu dia...

aster

segunda-feira, outubro 10, 2005

Perdeste...

Perdeste-me entre palavras de dor
Nada ficou no meu lugar
Que pudesse fazer lembrar
O tempo em que te dei amor

Perdeste-me entre gestos cruéis
E nada do que possas dizer
Vai fazer voltar a aparecer
Os dedos em vez dos anéis.

Perdeste-me entre memĂłrias de fumo
E nada te vai fazer pensar
Como costumavas amar
Quando éramos um só mundo…

aster
Bebi o veneno que me deste
Mas sabia que era veneno o que me ofereceste.

Vieste belo com passos subtis
Deste-me um cálice com licor azul
Sabia que me queria ver morta,
Sabia que nĂŁo me querias aqui
E, para te fazer a vontade,
Peguei no cálice e bebi.

Uma dor percorreu-me o corpo
Desmaiei e tu olhavas-me
Foi o veneno azul da morte
Que me ofereceste na noite fria
E sorriste enquanto dizias:
“Este licor é uma maravilha!”

E viste a respiração a partir
E os meus olhos fecharem
Sem forças sucumbi no chão duro
E nem um beijo de adeus vieste dar
Viraste costas e saĂ­ste
Como se nada se estivesse a passar.

Bebi o veneno que me deste
Mas sabia que era veneno o que me ofereceste.

aster

Nunca me soubeste dar...

A brisa levou-me o cabelo negro
Senti o frio no rosto e no peito
Parti dali
Fui buscar um pouco de calor,
Talvez um pouco de amor
Que nunca me soubeste dar.

Perdi-me na escadaria dos porquĂŞs,
Encontrei-me na esteira da dĂşvida
E dormi com o ciĂşme como companhia
SĂł queria uma palavra doce,
Um beijo, por mais falso que fosse,
Mas tu nunca me soubeste dar.

Colhi mil flores de mil perfumes,
Abri os jardins do pensamento
E entrei nos pátios que não conheces
Talvez para me perder
Ou, simplesmente, para esquecer
Tudo o que nunca me soubeste dar.

aster